INTELIGÊNCIA FINANCEIRA · 7 MIN DE LEITURA

DRE para Clínica Odontológica: como saber exatamente quanto sua clínica lucra

Por Alessandro Freitas·Mentor de Gestão Odontológica

“Meu faturamento foi R$120 mil esse mês.” Ótimo. Mas quanto sobrou?

Essa pergunta, aparentemente simples, é uma das mais difíceis para a maioria dos donos de clínica responder com precisão. Eles sabem o que entrou — ou acham que sabem. Mas raramente sabem o que ficou.

Sem DRE, toda decisão financeira é baseada em sensação. E sensação não é gestão.

O que é DRE e por que sua clínica precisa de um

DRE significa Demonstração do Resultado do Exercício. É um relatório financeiro que mostra, de forma organizada: quanto a clínica faturou, quanto ela gastou (fixo e variável) e quanto ela lucrou de verdade.

Sem DRE, você não sabe:

Como estruturar o DRE de uma clínica odontológica

(+) RECEITA BRUTA
    Procedimentos particulares
    Procedimentos convênio

(-) DEDUÇÕES DA RECEITA
    Inadimplência estimada
    Taxas de cartão / Impostos

(=) RECEITA LÍQUIDA

(-) CUSTOS VARIÁVEIS
    Repasse de dentistas
    Materiais odontológicos
    Comissões

(=) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

(-) CUSTOS FIXOS
    Aluguel / Salários e encargos
    Contador / Marketing / Software
    Manutenção de equipamentos

(=) RESULTADO OPERACIONAL (EBITDA)

(-) DESPESAS FINANCEIRAS
    Juros / Taxas bancárias

(=) RESULTADO LÍQUIDO (LUCRO REAL)

Os 5 indicadores financeiros que toda clínica precisa acompanhar

1. Margem líquida

Como calcular: (Resultado Líquido ÷ Receita Bruta) × 100

Referência: clínicas bem estruturadas têm margem entre 15% e 30%. Abaixo de 10% é sinal de alerta.

2. Ponto de equilíbrio

Como calcular: Custos Fixos ÷ Margem de Contribuição (%)

Exemplo prático: Custos fixos R$40.000 / Margem 50% = Ponto de equilíbrio R$80.000. Isso significa: a clínica precisa faturar R$80.000 antes de começar a lucrar.

3. Ticket médio

Como calcular: Receita Total ÷ Número de Procedimentos no período. Ticket médio baixo pode indicar mix de procedimentos inadequado ou política de desconto excessiva.

4. Taxa de inadimplência

Referência aceitável: até 3% do faturamento. Acima de 5%, precisa de atenção imediata. Uma clínica que “fatura” R$100k mas tem 10% de inadimplência está recebendo R$90k.

5. Custo de aquisição de paciente (CAP)

Como calcular: Total investido em marketing ÷ Número de pacientes novos no período. Ex: R$5.000 em tráfego → 25 pacientes = CAP de R$200.

Erros financeiros mais comuns em clínicas odontológicas

ErroSolução
Misturar pessoa física e jurídicaDefinir pró-labore fixo e separar as contas
Não separar custo fixo de variávelCategorizar cada custo corretamente
Calcular repasse sobre valor cobrado, não recebidoCalcular repasse sobre valor efetivamente recebido
Não ter reserva de fluxo de caixaProjeção de caixa para os próximos 30–90 dias

Perguntas frequentes

Preciso de um contador para ter DRE?

O contador faz o DRE fiscal. O DRE gerencial — que é o que o dono precisa para tomar decisões — pode (e deve) ser feito pelo próprio gestor, com uma planilha simples.

Qual software usar para gestão financeira de clínica?

Existem softwares como Clinicorp e Dental Office. O importante não é o sistema — é a disciplina de alimentar os dados e ler os relatórios.

Minha clínica é pequena. Ainda preciso de DRE?

Sim — principalmente se for pequena. Quanto menor a margem de erro, mais importante é o controle.

A pergunta certa não é “quanto minha clínica fatura?”. É “quanto minha clínica lucra?”.

Se você quer ajuda para estruturar a inteligência financeira da sua clínica — DRE, análise de margem ou ponto de equilíbrio:

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Sobre o autor

Alessandro Freitas

Mentor e consultor de gestão especializado em clínicas odontológicas. Criador do Método P.I.L.A.R, com formação em Administração e MBAs em Gestão de Negócios e Finanças pelo IBMEC.